terça-feira, 2 de julho de 2013

ERA VARGAS

 
Era Vargas é o nome que se dá ao período em que Getúlio Vargas governou o Brasil por 15 anos, de forma contínua (de 1930 a 1945). Esse período foi um marco na história brasileira, em razão das inúmeras alterações que Getúlio Vargas fez no país, tanto sociais quanto econômicas.
A Era Vargas, teve início com a Revolução de 1930 onde expulsou do poder a oligarquia cafeeira, dividindo-se em três momentos:
  • Governo Provisório -1930-1934
  • Governo Constitucional – 1934-1937
  • Estado Novo – 1937-1945

Revolução de 1930

Até o ano de 1930 vigorava no Brasil a República Velha, conhecida hoje como o primeiro período republicano brasileiro. Como característica principal centralizava o poder entre os partidos políticos e a conhecida aliança política "café-com-leite" (entre São Paulo e Minas Gerais), a República Velha tinha como base a economia cafeeira e, portanto, mantinha fortes vínculos com grandes proprietários de terras.
De acordo com as políticas do "café-com-leite", existia um revezamento entre os presidentes apoiados pelo Partido Republicano Paulista (PRP), de São Paulo, e o Partido Republicano Mineiro (PRM), de Minas Gerais. Os presidentes de um partido eram influenciados pelo outro partido, assim, dizia-se: nada mais conservador, que um liberal no poder.

O Golpe do Exército

Em março de 1930, foram realizadas as eleições para presidente da República.  Eleição esta que deu a vitória ao candidato governista Júlio Prestes. Entretanto, Prestes não tomou posse. A Aliança Liberal (nome dado aos aliados mineiros, gaúchos, e paraibanos) recusou-se a aceitar a validade das eleições, alegando que a vitória de Júlio Prestes era decorrente de fraude. Além disso, deputados eleitos em estados onde a Aliança Liberal conseguiu a vitória, não tiveram o reconhecimento dos seus mandatos. Os estados aliados, principalmente o Rio Grande do Sul planejam então, uma revolta armada.  A situação acaba agravando-se ainda mais quando o candidato à vice-presidente de Getúlio Vargas, João Pessoa, é assassinado em Recife, capital de Pernambuco. Como os motivos dessa morte foram duvidosos a propaganda getulista aproveitou-se disso para usá-la em seu favor, atribuindo a culpa à oposição, além da crise econômica acentuada pela crise de 1929; a indignação, deste modo, aumentou, e o Exército – que por sua vez era desfavorável ao governo vigente desde o tenentismo – começou a se mobilizar e formou uma junta governamental composta por generais do Exército. No mês seguinte, em três de novembro, Júlio Prestes foi deposto e fugiu junto com Washington Luís e o poder então foi passado para Getúlio Vargas pondo fim à República Velha.

Governo provisório (1930 - 1934)

O Governo Provisório teve como objetivo reorganizar a vida política do país. Neste período, o presidente Getúlio Vargas deu início ao processo de centralização do poder, eliminando os órgãos legislativos (federal, estadual e municipal).
Diante da importância que os militares tiveram na estabilização da Revolução de 30, os primeiros anos da Era Vargas foram marcados pela presença dos “tenentes” nos principais cargos do governo e por esta razão foram designados representantes do governo para assumirem o controle dos estados, tal medida tinha como finalidade anular a ação dos antigos coronéis e sua influência política regional.
Esta medida consolidou-se em clima de tensão entre as velhas oligarquias e os militares interventores. A oposição às ambições centralizadoras de Vargas concentrou-se em São Paulo, onde as oligarquias locais, sob o apelo da autonomia política e um discurso de conteúdo regionalista, convocaram o “povo paulistano” a lutar contra o governo Getúlio Vargas, exigindo a realização de eleições para a elaboração de uma Assembléia Constituinte. A partir desse movimento, teve origem a chamada Revolução Constitucionalista de 1932.
Mesmo derrotando as forças oposicionistas, o presidente convocou eleições para a Constituinte. No processo eleitoral, devido o desgaste gerado pelos conflitos paulistas, as principais figuras militares do governo perderam espaço político e, em 1934 uma nova constituição foi promulgada.
A Carta de 1934 deu maiores poderes ao poder executivo, adotou medidas democráticas e criou as bases da legislação trabalhista. Além disso, sancionou o voto secreto e o voto feminino. Por meio dessa resolução e o apoio da maioria do Congresso, Vargas garantiu mais um mandato.

Governo Constitucional (1934 – 1937)

Nesse segundo mandato, conhecido como Governo Constitucional, a altercação política se deu em volta de dois ideais primordiais: o fascista – conjunto de ideias e preceitos político-sociais totalitário introduzidos na Itália por Mussolini –, defendido pela Ação Integralista Brasileira (AIB), e o democrático, representado pela Aliança Nacional Libertadora (ANL), era favorável à reforma agrária, a luta contra o imperialismo e a revolução por meio da luta de classes.
A ANL aproveitando-se desse espírito revolucionário e com as orientações dos altos escalões do comunismo soviético, promoveu uma tentativa de golpe contra o governo de Getúlio Vargas. Em 1935, alguns comunistas brasileiros iniciaram revoltas dentro de instituições militares nas cidades de Natal (RN), Rio de Janeiro (RJ) e Recife (PE).    Devido à falha de articulação e adesão de outros estados, a chamada Intentona Comunista, foi facilmente controlada pelo governo.
Getúlio Vargas, no entanto, cultivava uma política de centralização do poder e, após a experiência frustrada de golpe por parte da esquerda utilizou-se do episódio para declarar estado de sítio, com essa medida, Vargas, perseguiu seus oponentes e desarticulou o movimento comunista brasileiro. Mediante a “ameaça comunista”, Getúlio Vargas conseguiu anular a nova eleição presidencial que deveria acontecer em 1937. Anunciando outra calamitosa tentativa de golpe comunista, conhecida como Plano Cohen, Getúlio Vargas anulou a constituição de 1934 e dissolveu o Poder Legislativo. A partir daquele ano, Getúlio passou a governar com amplos poderes, inaugurando o chamado Estado Novo.

Estado Novo (1937 – 1945)

No dia 10 de novembro de 1937, era anunciado em cadeia de rádio pelo  presidente Getúlio Vargas o Estado Novo. Tinha início então, um período de ditadura na História do Brasil.
Sob o pretexto da existência de um plano comunista para a tomada do poder (Plano Cohen) Vargas fechou o Congresso Nacional e impôs ao país uma nova Constituição, que ficaria conhecida depois como "Polaca" por ter sido inspirada na Constituição da Polônia, de tendência fascista.
O Golpe de Getúlio Vargas foi organizado junto aos militares e teve o apoio de grande parcela da sociedade, uma vez que desde o final de 1935 o governo reforçava sua propaganda anti comunista, alarmando a classe média, na verdade preparando-a para apoiar a centralização política que desde então se desencadeava. A partir de novembro de 1937 Vargas impôs a censura aos meios de comunicação, reprimiu a atividade política, perseguiu e prendeu seus inimigos políticos, adotou medidas econômicas nacionalizantes e deu continuidade a sua política trabalhista com a criação da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), publicou o Código Penal e o Código de Processo Penal, todos em vigor atualmente. Getúlio Vargas foi responsável também pelas concepções da Carteira de Trabalho, da Justiça do Trabalho, do salário mínimo, e pelo descanso semanal remunerado.
O principal acontecimento na política externa foi a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial contra os países do Eixo, fato este, responsável pela grande contradição do governo Vargas, que dependia economicamente dos EUA e possuía uma política semelhante à alemã.  A derrota das nações nazi fascistas foi a brecha que surgiu para o crescimento da oposição ao governo de Vargas. Assim, a batalha pela democratização do país ganhou força. O governo foi obrigado a indultar os presos políticos, além de constituir eleições gerais, que foram vencidas pelo candidato oficial, isto é, apoiado pelo governo, o general Eurico Gaspar Dutra.
Chegava ao fim a Era Vargas, mas não o fim de Getúlio Vargas, que em 1951 retornaria à presidência pelo voto popular.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

UMA BREVE HISTÓRIA DA AFRICA...




O continente africano caracteriza-se pela diversidade cultural. A História desse continente é rica e esta intimamente ligada à História do Brasil. Os africanos, trazidos para nosso país como escravos, entre os séculos XVI e XIX, enriqueceram a cultura brasileira com seus costumes, rituais religiosos, culinária, danças e muito mais. Somente no século XIX, com o movimento abolicionista, os negros ganharam a liberdade com a assinatura da Lei Áurea (1888).
Mas temos muito para conhecer da cultura e de líderes negros como Zumbi, que lutou por um ideal digno de uma vida melhor para seu povo. Importante também é resgatar a história e a cultura dos povos que habitaram o continente africano. A vida em sociedade, os rituais religiosos, as máscaras, organização social e a rica mitologia africana.
Nas escolas e nos livros, costumamos estudar apenas a história de um povo africano: os egípcios. Porém, na mesma época em que o povo egípcio desenvolvia sua civilização, outros povos africanos faziam sua história. Conheceremos abaixo alguns destes povos e suas principais características culturais.

O POVO BÉRBERE
Os bérberes eram povos nômades do deserto do Saara. Este povo enfrentava as tempestades de areia e a falta de água, para atravessar com suas caravanas este território, fazendo comércio. Costumavam comercializar diversos produtos, tais como : objetos de ouro e cobre, sal, artesanato, temperos, vidro, plumas, pedras preciosas etc. 
Costumavam parar nos oásis para obter água, sombra e descansar. Utilizavam o camelo como principal meio de transporte, graças a resistência deste animal e de sua adaptação ao meio desértico.
Durante as viagens, os bérberes levavam e traziam informações e aspectos culturais. Logo, eles foram de extrema importância para a troca cultural que ocorreu no norte do continente.
OS BANTOS
Este povo habitava o noroeste do continente, onde atualmente são os países Nigéria, Mali, Mauritânia e Camarões. Ao contrário dos bérberes, os bantos eram agricultores. Viviam também da caça e da pesca.
Conheciam a metalurgia, fato que deu grande vantagem a este povo na conquista de povos vizinhos. Chegaram a formar um grande reino ( reino do Congo ) que dominava grande parte do noroeste do continente. 
Viviam em aldeias que era comandada por um chefe. O rei banto, também conhecido como manicongo, cobrava impostos em forma de mercadorias e alimentos de todas as tribos que formavam seu reino.
O manicongo gastava parte do que arrecadava com os impostos para manter um exército particular, que garantia sua proteção, e funcionários reais. Os habitantes do reino acreditavam que o maniconco possuía poderes sagrados e que influenciavam nas colheitas, guerras e saúde do povo.

OS SONINKÉS E O IMPÉRIO DE GANA

Os soninkés habitavam a região ao sul do deserto do Saara. Este povo estava organizado em tribos que constituíam um grande império. Este império era comandado por reis conhecidos como caia-maga.
Viviam da criação de animais, da agricultura e da pesca. Habitavam uma região com grandes reservas de ouro. Extraíam o ouro para trocar por outros produtos com os povos do deserto (bérberes).  A região de Gana, tornou-se com o tempo, uma área de intenso comércio.
Os habitantes do império deviam pagar impostos para a nobreza, que era formada pelo caia-maga, seus parentes e amigos. Um exército poderoso fazia a proteção das terras e do comércio que era praticado na região. Além de pagar impostos, as aldeias deviam contribuir com soldados e lavradores, que trabalhavam nas terras da nobreza.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Vida: Um Eterno Devir...

Devir é um conceito filosófico que qualifica a mudança constante, a perenidade de algo ou alguém. Surgiu primeiro em Heráclito e em seus seguidores; o devir é exemplificado pelas águas de um rio, “que continua o mesmo, a despeito de suas águas continuamente mudarem.” Devir é o desejo de tornar-se. Recebe também a acepção Nietzscheriana do "torna-te quem tu és", usada em um dos seus escritos. Traduz-se de forma mais literal a eterna mudança do ontem ser diferente do hoje, nas palavras de Heráclito:"O mesmo homem não pode atravessar o mesmo rio, porque o homem de ontem não é o mesmo homem, nem o rio de ontem é o mesmo do hoje". O devir é a lei do mundo.Os fenômenos se repetem,é verdade,mas não se repete o mesmo fenômeno: o raio de hoje é sempre um raio, mas não é aquele de ontem; os seres viventes são sempre classificáveis em espécies, mas os seres que vivem hoje não são mais aqueles do passado. Aliás, cada coisa jamais é a mesma; dia a dia perde e conquista algo mesmo quando aos nossos olhos desapareceu para sempre.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

DIONÍSIO: UM BON VIVANT ENTRE OS DEUSES



Ao longo dos anos, a mitologia clássica tem influenciado o imaginário e a cultura popular moderna. Apesar de milenar, os mitos gregos continuam vivos nos dias atuais e, notoriamente, podemos nos deparar com grandes mitos em filmes, desenhos, artes, peças, entre outros tipos de mídia que tentam levar ao nosso imaginário um pouco das crenças e cultura desses povos.
Para conhecermos um pouco mais sobre os deuses e os mitos que os envolvem, será apresentado um dos mais complexos Deuses da mitologia grega: Dionísio, um Bon Vivant[1] entre os Deuses.
Dentre todos os deuses da mitologia grega, Dionísio pode ser considerado o mais próximo dos mortais (BOLTON, 2004, p. 194), uma vez que este viveu entre os mortais durante anos, antes de, finalmente, ocupar seu espaço no rol entre as doze divindades do Monte Olimpo[2].
São muitas as histórias relacionadas ao seu nascimento. Como outras divindades, o nascimento de Dionísio é cheio de mistérios. A história mais popular é de que seria filho de Zeus[3] com uma mortal, Sêmele, que aparece, inclusive, quando se trata do nascimento de Baco[4] (FRANCHINI, 2007, p. 45)
Um dos mitos mais conhecidos é que Zeus teria seduzido Sêmele na forma humana, o que não era de costume, conforme veremos abaixo.

A fim de enganar Hera. O deus geralmente tomava formas diferentes para visitar suas amantes humanas. Transformou-se em chuva de ouro para seus encontros com Dânae, filha do rei de Argos [...]. O deus mantinha casos amorosos tantos com homens quanto com mulheres. Quando Zeus se apaixonou por Ganimedes, o belo filho de um rei lendário de Tróia transformou-se numa águia e levou o jovem para o Monte Olimpo para se tornar criado dos deuses (HALLAM, 2002, pp. 22 e 24).
 


O romance entre o deus e a mortal teria gerado o deus Dionísio. Durante a gestação do futuro deus, Hera[5], enciumada, teria se disfarçado como sua ama-seca, convencendo a jovem de que o pai estava mentindo. Desta forma, Sêmele pediu como prova de estar gerando um filho de Zeus, que este lhe concedesse um pedido. Completamente enamorado pela bela jovem mortal, Zeus disse que poderia pedir o que quisesse. Quando, inocentemente, Sêmele pediu para ver o senhor do Olimpo em sua forma original, Zeus não teve alternativa senão apresentar-se em todo seu esplendor. No entanto, a verdadeira aparência de uma divindade era algo forte demais para um simples mortal suportar, com isso, Sêmele foi consumida por chamas diante da visão do verdadeiro pai dos deuses.
Hermes foi ao socorro do pai, salvando a criança de um destino fatal. O bebê foi extraído do ventre da mãe e alojado na coxa de Zeus. Foram dados pontos no ferimento e, após três meses, nascia Dionísio.
Em outra versão sobre o nascimento de Dionísio, Zeus também aparece como pai, mas dessa vez Perséfone é a mãe. Como já vimos anteriormente, era um hábito comum do todo poderoso do Olimpo transformar-se em um animal para se acasalar com uma mulher ou homem de sua escolha. Com Perséfone, Zeus escolheu a cobra como forma, e, dessa união, uma criança com uma coroa de cobras e chifres teria nascido, recebendo o nome de Zagreus.
Também como já vimos anteriormente, Hera descobriu esse ato adúltero de Zeus e, imediatamente, começou sua perseguição ao filho ilegítimo. Tendo a criança em seu poder, Hera o deixou a mercê dos Titãs[6]. Sem perder tempo, os Titãs cortaram a pobre criança em pedaços, cozinharam-na e a devoraram-na, com exceção do coração, que foi recuperado por Atena[7] e entregue a Zeus. Nessa versão, Sêmele aparece como aquela que recebe o coração das mãos de Zeus e, ao comê-lo, engravidou. Quando a criança nasceu pela segunda vez, recebeu o nome de Dionísio.


Não importando a versão como Dionísio nasceu, em ambas, a furiosa Hera estava disposta a vingar-se. Sabendo das intenções da esposa, Zeus tomou algumas precauções para proteger o filho, deixando a cargo do casal Ino (irmã de Sêmele) e Atamas (rei da Tessália), a custódia da criança.
Durante algum tempo, os pais adotivos vestiram o menino com roupas de meninas, o que foi logo descoberto. Como castigo ao casal, Hera fez com que ambos ficassem loucos e depois matassem seus próprios filhos.
Zeus, habilmente, conseguiu iludi-la e salvar mais uma vez seu filho, transformando-o em cabrito, ordenando para que Hermes o levasse até Ninfas, na região do Monte Nysa. Dests vez, a investida de Zeus funcionou e Dionísio cresceu seguro e feliz. Contudo, Hera nunca esquecia o adultério do marido e, voltando a sua forma normal, Dionísio foi encontrado e levado à loucura.
Durante sua loucura, Dionísio vagou por longos anos pela Terra. Um dia, suas andanças o levaram até Frigia, onde foi recebido por Cibele, a deusa da terra. Dionísio foi iniciado no culto religioso e curado de sua loucura, ficando com Cibele para aprender seus rituais e práticas e criando, assim, seu próprio culto religioso.
Ao contrário de outros Deuses, que eram cultuados de longe, Dionísio não só era reverenciado, como se juntava com os mortais que o homenageavam. Dionísio tinha seus próprios ritos e seus rituais eram marcados por festivais caracterizados por uma festa após outra. Dionísio adorava pessoas, além de dançar e beber vinho. Diferentemente dos deuses do Olimpo, que tinham templos onde eram cultuados, gostava de vagar pela terra e ter seus ritos celebrados em bosques.
Como Dionísio era o deus do vinho, seus seguidores eram conhecidos por cultuar essa bebida. Acreditava-se que o vinho tinha o poder de causar “relaxamento e os êxtases” (BOLTON, 2004, p. 190), necessários para integração nos cultos juntos com Dionísio. Contudo, o excesso no consumo da bebida tinha como consequência um estado de loucura e frenesi dos participantes.


Quando consumiam grande quantidade de vinho, os seguidores chegavam a um estado de êxtase tal, que afirmavam poder sentir o poder dos deuses. Alguns afirmavam que o êxtase religioso era aguçado pelo êxtase sexual. Bem, em noites de tantos delírios, tudo era possível (BOLTON, 2004, pp. 190, 191).
Nem todos acreditavam e cultuavam o deus do vinho e do êxtase. Muitos até suspeitavam que a divindade fosse falsa, o que despertava a ira daquele bon vivant. Apesar de festivo e alegre, Dionísio era de um temperamento vulcânico e possuía bastante criatividade no que diz respeito aos seus castigos. Estes eram, normalmente, brutais e cruéis. Um de seus castigos favoritos era a loucura, talvez por ele próprio ter vivenciado o poder da loucura.
Certa vez, durante uma viagem, acompanhado por suas Mênades,[8] quis o deus fazer uma parada em Trácia. Ali foi perseguido pelo rei Licurgo, que tentou prendê-lo, mas Dionísio conseguiu escapar. Entretanto, muitos de seus seguidores acabaram sendo capturados. Indignado pelos maustratos, o deus voltou e puniu o rei, deixando louco o rei da Trácia. Assim, sem Licurgo representar perigo, os simpatizantes de Dionísio foram soltos.
Por mais de uma vez o deus do vinho e do êxtase se viu perseguido, em outra ocasião, Dionísio, ao levar seu trabalho missionário até Tebas (onde foi muito bem aceito pelas mulheres), subiu ao Monte Cithaeron e logo se iniciaram os ritos frenéticos. No entanto, o rei de Tebas não reconhecia a autoridade da divindade e, como consequência, mandou capturá-lo e prendê-lo em um calabouço. Logicamente sua prisão não durou muito e, libertando-se, conseguiu convencer o rei de Tebas, Penteus, a ver um espetáculo sem igual, uma espécie de orgia onde só participavam mulheres.
Disfarçando-se o rei de mulher, como havia aconselhado Dionísio, subiu o rei ao Monte Cithaeron, onde aconteciam os rituais, e se escondeu atrás de uma árvore onde não teve toda a excitação que lhe fora prometido (BOLTON, 2004, p. 192).


As mulheres que ali estavam, perceberam sua presença e, em estado de alucinação, acharam que o rei fosse um leão da montanha. Dentre elas estava à própria mãe de Penteus, que, juntamente com as demais, foi ao seu encontro e o esquartejou ali mesmo. Satisfeito, Dionísio vingou-se, assim, do infiel.
Apesar de suas atrocidades com seus desafetos, deve-se destacar que Dionísio costumava ser bem generoso com seus preferidos. Como um Deus que era, também era responsável por grandes atos de benevolência. Aqueles que recebiam o deus de braços abertos em seus lares e em suas vidas, eram altamente recompensados, pois seu lado bom era tão intenso quanto sua crueldade. Por vezes, fazendo o bem, olhando a quem, Dionísio presenteava seus seguidores com vinho ou com a arte de cultivar a uva e obter dela o vinho. Deve-se ressaltar, no entanto, que um de seus presentes mais conhecidos foi dado ao rei de Frigia, Midas (o toque de Midas).
Apesar de seu presente favorito ser o vinho, uma vez ou outra o deus permitia que o felizardo escolhesse o que gostaria de ganhar. O mesmo aconteceu com o rei Midas, que, em certa ocasião, ao se deparar diante de Sileno como prisioneiro e reconhecê-lo como amigo e tutor de Dionísio, ordenou imediatamente sua libertação.
Durante dez dias e dez noites, Midas manteve Sileno entretido, indo além dos limites da hospitalidade, levando depois o hóspede escoltado até a presença de Dionísio. Não se contendo de felicidade com o retorno do amigo, Dionísio fez uma visita ao rei Midas, deixando a sua escolha o presente que iria ofertar. Ambicioso e sem perder tempo, Midas disse-lhe que gostaria de transformar em ouro tudo que por ele fosse tocado. Dionísio tentou alertar o rei, porém concedeu o pedido. De inicio, pode parecer uma ótima ideia e o rei aproveitou o quanto pode seu novo poder: tudo que via e em que tocava, surpreendia-se a cada transformação.
Mais tarde, cansado por tanta excitação, o rei decidiu repousar e se alimentar. No entanto, tudo em que tocava via se transformar em ouro, até mesmo a bebida se solidificava em metal, antes de tocar os lábios do rei.


Desesperado, Midas entendeu a extensão de seu pedido e concluiu que morreria se uma medida não fosse tomada. Chamando Dionísio, o rei implorou para que o “presente” fosse embora. Dionísio afirmou que não possuía tal poder, mas aconselhou ao rei lavar-se nas águas do rio Pactolo. Seguindo o conselho, Midas conseguiu livrar-se da maldição. Desde então, as areias do rio ficaram repletas de pó de ouro.
A despeito do amor de Dionísio pela terra e seus habitantes, o deus ocupou seu espaço no rol das doze divindades do Monte Olimpo e como última tarefa antes de deixar o planeta, quis o deus reaver sua mãe.
Deve-se lembrar que Sêmele, mãe de Dionísio, morreu antes de dar a luz, deixando o deus com a fixação de querer encontrá-la. O encontro tornava-se praticamente impossível, pois sua mãe encontrava-se no mundo inferior. Firmemente decidido encontrá-la, consultou um guia que lhe disse que deveria usar a entrada do lago Alcyonian, um caminho muito mais rápido que pela terra. Em troca, o guia pediu a Dionísio favores sexuais, mas o deus, em sua pressa, nada fez, mas prometeu-lhe o que quisesse depois de seu retorno.
Chegando ao seu destino, teve o deus de barganhar com o deus Hades[9] para recuperar sua mãe. Acabou dando para Hades umas de suas plantas preferidas: a murta. Uma vez trazendo-a de volta à vida, Dionísio levou-a consigo até a morada dos deuses, no Monte Olimpo, e lá lhe proporcionou uma vida de luxo e riquezas. Após reconciliar-se com Hera, Dionísio teve um final feliz, ocupando seu lugar como um dos deuses do Olimpo.

Conclusão
A mitologia grega, embora ampla e complexa, é um modo bastante divertido e inusitado de aprender mais sobre a história, a cultura e as crenças desses povos, que se desenvolveram por muitos séculos.
Notam-se as características dessas divindades tão “humanas” (e que deus seria mais humano que Dionísio?), suas origens e lendas surgidas como histórias mágicas e alegóricas, vindas dos antigos e, de certa forma, inventadas, para na falta de uma ciência, ter algumas das respostas que os circundavam.

Artigo apresentado à Escola de Ensino Superior Anísio Teixeira – Faculdade CESAT, Pelo aluno André Dias graduando do curso de História, como requisito parcial para nota na disciplina de Poder e Política – Antiguidade e Medievo.
                                                                           Profª. Eliane Venturim.



REFERÊNCIAS
GUIMARÃES, Ruth. DICIONARIO DA MITOLOGIA GREGA. 1° edição. São Paulo: Cultrix, 1999.

BOLTON, Lesley. O LIVRO COMPLETO DA MITOLOGIA CLASSICA, Deuses, Deusas, Heróis e Monstros gregos e romanos de Ares a Zeus. 1° Edição. São Paulo: Madras Editora, 2004.

FRANCHINI, A. S. AS 100 MELHORES HISTÓRIAS DA MITOLOGIA: Deuses, Heróis, Monstros e Guerras da tradição greco-romanas. 9 ed. Porto Alegre: L&PM, 2007.DETIENNE, Marcel.


A INVENÇÃO DA MITOLOGIA. Tradução André Telles, Gilza Martins Saldanha da Gama; Revisão Junito Brandão, Roberto Lacerda. 2 ed. Rio de Janeiro: Editora UnB, 1998.

HALLAM, Elizabeth. O LIVRO DOS DEUSES E DEUSAS. Tradução Vânia de Castro. São Paulo: Ediouro, 2002.


BRANDÃO, Junito de Souza. MITOLOGIA GREGA. 11 ed. Petrópolis: Editora Vozes, 2000.



[1] Bon Vivant: Termo oriundo do idioma francês que em português significa “boa vida”
[2] Monte Olimpo: Na mitologia grega, o Monte Olimpo é a morada dos Doze Deuses do Olimpo, os principais deuses do panteão grego. Os gregos pensavam nisto como uma mansão de cristais que estes deuses habitavam.
[3] Zeus é o pai, o rei dos deuses e dos homens; reina no Olimpo.
[4] Baco é o nome recebido ao deus Dionísio na adaptação feita pelos romanos.
[5] Hera irmã e esposa de Zeus, deusa dos deuses, que rege o casamento.
[6] Na mitologia grega, os Titãs – masculino – e Titânides – feminino - (em grego Τιτάν, plural Τιτᾶνες) estão entre a série de deuses que enfrentaram Zeus e os deuses olímpicos na sua ascensão ao poder.
[7] Atena deusa da sabedoria nasceu da cabeça de Zeus.
[8] Mênades – Mulheres em uma espécie de transe, estas ajudavam a incitar as pessoas para os festivais de cidade em cidade.
[9] Hades é o deus do submundo e das riquezas dos mortos.




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A obra Dionísio: Um Bon Vivant entre os Deuses de André Dias foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não-Comercial - Partilha nos Mesmos Termos 3.0 Não Adaptada.
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segunda-feira, 9 de junho de 2008

O PAPEL DA MULHER...

BEM EU GOSTARIA DE ESTREIAR A COLUNA COMPORTAMENTO E SOCIEDADE, HOMENAGEANDO O SER MAIS PERFEITO DO UNIVERSO: A MULHER.
NESTE SÉCULO A MULHER TEM UM PAPEL MUITO IMPORTANTE PARA SOCIEDADE E AO LONGO DOS ANOS ELAS TEM CONSEGUIDO SE DESTACAR E OBTER CADA VEZ MAIS ESPAÇO, AOS POUCOS ELAS ESTÃO CHEGANDO AO PODER EM SOCIEDADES QUE ATÉ POUCO TEMPO ATRÁS NEM IMAGINAVAM TAIS ACONTECIMENTOS, JÁ É MUITO COMUM MULHERES EM ALTOS CARGOS EM DIVERSOS SEGUIMENTOS. NA ALEMANHA, ANGELA MERKEL É A PRIMEIRA A CHEFIAR O GOVERNO DO PAÍS DANDO A ELA O STATUS DE MULHER MAIS PODEROSA DO MUNDO. NO CHILE, MICHELLE BACHELET É A PRIMEIRA MULHER A PRESIDIR UM PAÍS LATINO-AMERICANO SEM TER HERDADO O PODER DO MARIDO, EM OUTUBRO DO ANO PASSADO, NA ARGENTINA CRISTINA KIRCHNER SE TORNOU A PRIMEIRA MULHER ELEITA PRESIDENTE. E NÃO MUITO DISTANTE, PODEMOS CITAR O CASO DO BRASIL, TEMOS COMO MINISTRA CHEFE DA CASA CIVIL, DILMA ROUSSEFF, QUE POSSIVELMENTE SERÁ PRÉ CANDIDATA DO PARTIDO DOS TRABALHADORES, E POSSIVELMENTE SUCESSORA DO PRESIDENTE LULA, TAMBÉM NO PODER JUDICIARIO A DOIS ANOS ATRÁS ELLEN GRACIE NORTHFLEET, FOI ELEITA PARA A PRESIDÊNCIA DO STF. EM RELAÇÃO AO PODER PUBLICO O BRASIL TEM UM DOS PIORES ÍNDICES DE REPRESENTAÇÃO DE MULHERES, COM UMA MÉDIA QUE CHEGA A SER INFERIOR A DOS PAÍSES ÁRABES, REGIÃO CONSIDERADA COMO UMA DAS MAIS PROBLEMÁTICAS EM TERMOS DE DIREITOS DAS MULHERES, NO ENTANTO ELAS ESTÃO CADA VEZ MAIS ATIVAS DE UNS ANOS PRA CÁ, MUITAS JÁ ASSUMEM O PAPEL DE CHEFE DE FAMILIA E LEVANTAM A BANDEIRA DE IGUALDADE DE DIREITOS. ESPERAMOS QUE ELAS POSSAM SER MELHORES GESTORAS, CHEFES, ETC... E CONSIGAM FAZER DA SOCIEDADE O QUE INFELIZMENTE NÓS HOMENS A MUITOS ANOS NÃO CONSEGUIMOS FAZER!